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30 de Março, 2020

"Deus não nos criou para o túmulo, mas para a vida", diz o Papa Francisco

Na alocução que precedeu o Angelus deste 5° Domingo da Quaresma, 29, Francisco refletiu sobre o Evangelho de João, que narra a ressurreição de Lázaro, diretamente da Biblioteca do Palácio Apostólico

Em sua alocução que precedeu o Angelus neste 5° Domingo da Quaresma, 29, o Papa Francisco, da Biblioteca do Palácio Apostólico, no Vaticano, convidou os fiéis a remover dos corações as pedras que falam de morte, como a hipocrisia, refletindo sobre a vivência da fé, a crítica destrutiva, a ofensa, a calúnia e  a marginalização do pobre.

Em suas palavras, Francisco refletiu sobre o Evangelho de João, que narra a ressurreição de Lázaro (Jo 11,1-45). O Pontífice recordou também que a resposta de Deus ao problema da morte é Jesus e que Deus não criou o ser humano para o túmulo, mas para a vida “bela, boa, alegre”.

Jesus é o Senhor da vida

“Teu irmão ressuscitará”. Iniciando sua reflexão,  o Santo Padre leu alguns dos versículos do capítulo 11 de João e explicou que, ao responder a Marta, que lhe havia dito que seu irmão não teria morrido caso o Mestre estivesse ali, Jesus se apresenta como o Senhor da vida, Aquele que é capaz de restituir a vida também aos mortos.

Francisco recordou que, ao ver em prantos Maria e as pessoas que se aproximavam dele, Jesus, muito comovido, chorou e “comovido, vai ao túmulo, agradece ao Pai que sempre o escuta, manda abrir o sepulcro e exclama com voz forte: “Lázaro, vem para fora!” E, Lázaro sai com as mãos e os pés atados com lençóis mortuários e o rosto coberto com um pano. “Aqui vemos concretamente que Deus é vida e doa vida, mas assume o drama da morte. Jesus poderia ter evitado a morte do amigo Lázaro, mas quis assumir para si a nossa dor pela morte das pessoas queridas, e sobretudo quis mostrar o domínio de Deus sobre a morte”, exclamou Francisco.

O encontro entre a fé do homem e a onipotência de Deus

O Papa observou o encontro entre a fé do homem e a onipotência de Deus, retratada no Evangelho. “É como um duplo caminho: a fé do homem e a onipotência do amor de Deus que se procuram e no final se encontram. Vemos isso no grito de Marta e Maria e de todos nós com eles: “Se tivesses estado aqui!”, enfatizou.

De acordo com Francisco, a resposta de Deus não é um discurso. A resposta de Deus ao problema da morte é Jesus. “Eu sou a ressurreição e a vida… Tenham fé! Em meio ao choro continuem a ter fé, ainda que pareça que a morte tenha vencido. Removam a pedra de seus corações! Deixem que a Palavra de Deus leve de novo a vida onde há morte”, citou.

 Remover as pedras que representam morte

Ainda hoje, para o Pontífice, Jesus repete que se remova a pedra, pois criados para a vida bela, boa e alegre fomos. A morte, por sua vez, só entrou no mundo pela inveja do diabo, mas Jesus Cristo veio para libertar de seus laços. Nesse sentido, então, Francisco afirmou que todos são chamados a remover as pedras de tudo aquilo que fala de morte.

O Papa exemplificou que a hipocrisia com que a fé é vivida, é morte; a crítica destrutiva contra os outros, é morte; a ofensa, a calúnia, é morte; a marginalização do pobre, é morte. “O Senhor nos pede para removermos estas pedras do coração, e a vida então voltará a florescer ao nosso redor. Cristo vive, e quem o acolhe e se une a Ele entra em contato com a vida. Sem Cristo, ou fora de Cristo, a vida não só não está presente, mas se recai na morte”.

Regenerados por Cristo, novas criaturas

O Pontífice recordou que “a ressurreição de Lázaro também é sinal da regeneração que se realiza no crente mediante o Batismo, com a plena inserção no Mistério Pascal de Cristo. Pela ação e a força do Espírito Santo, o cristão é uma pessoa que caminha na vida como uma nova criatura: uma criatura para a vida, e que vai em direção à vida".

Ao final de sua a alocução, Francisco remeteu à intercessão de Nossa Senhora, pelo seu olhar materno. “Que a Virgem Maria nos ajude a sermos compassivos como o seu Filho Jesus, que fez sua a nossa dor. Que cada um de nós seja próximo daqueles que estão sofrendo, tornando-se para eles um reflexo do amor e da ternura de Deus, que liberta da morte e faz vencer a vida”. Além disso, o Santo Papa pediu que a Virgem Maria ajude a todos a serem compassivos como o seu Filho Jesus, que fez sua a nossa dor. “Que cada um de nós seja próximo daqueles que estão sofrendo, tornando-se para eles um reflexo do amor e da ternura de Deus, que liberta da morte e faz vencer a vida”, clamou.

 

Créditos da imagem: ACI Digital 


Fonte: Amex, com Vatican News


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